Apresentado em Fiorano a 2 de Fevereiro de 1990, o Ferrari 641 representou uma evolução do conceito apresentado por John Barnard em 1989, (técnico que no final de 1989 saiu da equipa, sendo substituído por Pier Guido Castelli, na direção técnica). No que respeita ao F1-89 - 640 (1989), este novo monolugar apresenta poucas alterações aerodinâmicas, que foram da responsabilidade do italo-argentino Enrique Scalabroni.
Existiu uma 1ª versão do 641, que disputou as duas primeiras corridas do campeonato, que presentava um novo "nariz", grandes entradas de ar verticais para os radiadores e um perfil do capot motor ligeiramente diferente
A partir do Grande Prémio de San Marino, estreou-se o 641/2, uma evolução do modelo anterior, e que surgia com um "nariz" modificado, novas entradas de ar para os radiadores e motor, e radiadores de maiores dimensões. Várias foram as alterações feitas ao nível das suspensões e da caixa de velocidades. Um dos pontos fortes deste monolugar era o motor, que na versão 036, e sobretudo na seguinte, o 037, tinha um curso reduzido e era mais leve. Este motor foi estreado nos treinos de qualificação para o Grande Prémio de Inglaterra, não tendo sido usado em corrida. Só o seria no Grande Prémio da Hungria. O motor 037 foi o 1º motor normalmente "aspirado" a ultrapassar os 700 cavalos.
A temporada de 1990 revelou-se positiva, com seis vitórias (cinco para Alain Prost e uma para Nigel Mansell). A Ferrari conquistou o 2º lugar no campeonato de construtores, e Alain Prost poderia ter sido Campeão do Mundo, não tivesse a "guerra" com Ayrton Senna atingido proporções para lá do aceitável, e que atingiu o auge no célebre Grande Prémio do Japão em Suzuka, e em que o piloto brasileiro, de forma deliberada e numa atitude assumidamente vingatória, abalroou o Ferrari de Prost, na partida para a corrida, colocando-o, a ele e ao Francês, fora de prova. Esta corrida não decidiu o titulo, mas facilitou a vida de Senna no que faltava de campeonato. Todos os especialistas referiram na época que este Ferrari era nitidamente superior ao McLaren do brasileiro, no entanto o gênio de Ayrton Senna fazia por vezes milagres. Para além disto, a Ferrari sofreu no final do campeonato pelo facto de não existir claramente um 1º piloto (ao contrário do que acontecia na McLaren), e o Grande Prémio de Portugal foi um bom exemplo disso.


Principais características técnicas:

Motor:

Tipo 037 (estreia nos treinos de qualificação para Grande Prémio de Inglaterra, a 8ª prova do campeonato)
V 12 a 65 graus
Cilindrada: 3499.96cc (86 x 50.2mm) 
Taxa de Compressão: 11.9:1
Potência máxima: 690 Cv às 13600 rpm - (motor tipo 037 de corrida)
                           710 Cv às 13800 rpm - (motor tipo 037 de qualificação)
Distribuição: Cinco válvulas por cilindro
Alimentação: Injeção electrónica digital Weber-Marelli com dois injectores por cilindro 

Transmissão:

Caixa de sete velocidades + MA, semi-automática com controlo electrónico
Diferencial autoblocante ZF

Chassis:

Tipo 641/2
Monocoque em materiais compósitos: Ninho de abelhas com fibra de carbono e kevlar


Suspensão frontal: quadriláteros deformáveis: dois triângulos sobrepostos de secção elíptica e braços de suspensão com controlo "push-rod"
Suspensão traseira: Quadriláteros deformáveis, triângulo superior e trapézio inferior, braços de suspensão com controlo "push-rod".
Travões: Disco autoventilados em carbono nas quatro rodas. Pinças Brembo.
Pneus: Frente: 25.0-10.0-13'' Traseira: 26.0-15.0-13 - Good Year
Rodas: Speedline. Frente: 11,75x13'' Traseira: 16x13''
Distância entre eixos: 2855 mm
Comprimento: 4460 mm
Largura: 2130 mm
Altura: 1000 mm
Peso (com água e óleo):  503 Kg

Reservatório de combustível: Um central e dois laterais. 215 litros no total (102 RON)


Carroçaria: Em material compósito


Director (Responsável único): Cesare Fiorio
Ao longo do campeonato foram usados um total de seis châssis:

F1-90 641: #116 e #117
F1-90 641/2: #118, #119, #120 e #121



1990



#121


Grande Prémio de Portugal
Autódromo do Estoril
Alain Prost (nº1)
2º Treinos
3º Corrida


#120


Grande Prémio de Portugal
Autódromo do Estoril
Nigel Mansell (nº2)
1º Treinos
1º Corrida



No Grande Prémio de Portugal, e durante os treinos de qualificação, Alain Prost utilizou um volante dotado de duplo comando, que lhe permitia mudar de várias relações de caixa ao mesmo tempo.